A mostrar as mensagens mais recentes com o marcador ENTREVISTA. Mostrar mensagens mais antigas
A mostrar as mensagens mais recentes com o marcador ENTREVISTA. Mostrar mensagens mais antigas

sexta-feira, 5 de Março de 2010

BLACK GENUÍNO EM ESTÚDIO

Eddie-Pipocas: Conta-nos como começaste a tua carreira e quais ou quem foram as tuas Influências?

Black Genuíno: Fui influenciado pelos ritmos cubanos dos batuques normalmente o meu pai quando vinha de férias para casa fazia-se acompanhar de colegas cubanos que tocavam percussão e comecei a ter hábitos pela percussão foi ai que tive os primeiros contactos com a música e mas tarde com amigos começamos a fazer rimas a gravar de forma artesanal em casa com rádio cassete foi ai que tive necessidade de profissionalizar mas a cena então fui a procura de nossos meios e aprender a produzir comecei a trabalhar com programas de computador e a produzir as minhas musicas e a lançar para o people da net e de mão a mão assim comecei a minha carreira.

Eddie-Pipocas: Como músico o que trazes de novo e o que fazes de especial?

Black Genuíno: O que trago de novo e faço de especial é a forma de rimar, interpretar o rap e as situações da vida. Se notares pela minha música eu tenho frases mais compridas e ao mesmo tempo rápida, é uma forma diferente de rimar em relação aos outros mc’s, eu não sigo “regras” da música, isto é, rimar em tempo certo, etc. Eu quero inovar e deixar a minha marca. E no meu ponto de vista, a forma como a sociedade interpreta a minha música e a forma como faço (escrevo) o meu rap é o que tenho de especial e caracterizo-me como diferente.

Eddie-Pipocas: Que tipo de temas abordas nas tuas músicas e quando escreves, em que te inspiras?

Black Genuíno: Normalmente, abordo temas sociais, costumo falar de tudo um pouco, não falo apenas do mal, sei realçar tanto o que se passa de bom, como de mau na sociedade. Neste novo projecto que estamos a preparar abordamos temas como HIV, caminhos da vida, falo também dos angolanos que vivem fora de Angola há muito tempo devido á guerra, abordo temas religiosos como o “quem dá mais irmãos”, que realça a forma como os padres, pastores, entre outros, que influenciam de forma errada as pessoas. Também falo das raparigas (mulheres) que se comportam mal e também tenho outras músicas em que realço as mulheres que merecem, que têm valor; falo da minha mãe, de um amigo que perdeu a mãe, de modo a encorajá-lo e por fim tenho músicas de “skills”, aquilo a que consideramos o rap duro, que tem de estar sempre presente. Resumindo: escrevo um pouco sobre tudo.

Eddie-Pipocas: o que pensas da guerra que existe entre a música comercial e o underground, que começou nos EUA, depois passou pela Europa, África…?

Black Genuíno: Eu costumo dizer que toda a música é comercial, o underground também é música comercial porque também vende, é uma guerra que não tem muito fundamento. As pessoas devem fazer aquilo que sentem e que são livres para fazer. As pessoas têm de cantar aquilo que lhes vai na alma, há pessoas que começam por fazer underground, e mais tarde apercebem-se que não é aquilo que querem fazer. O hip hop é falares da tua “cena”, da tua vida, daquilo que tu és, o que pensas e não seguires muito os ideais dos outros. E esta guerra, que eu considero uma mera competição, porque guerra envolve armas, entre outras coisas piores, não deveria existir, deveríamos estar em harmonia e aceitar aquilo que os outros fazem, mesmo não concordando ou não gostando, pois é assim que se vive em sociedade, respeitando a personalidade dos outros e o que eles são. Para mim é o hip hop, a cultura.

Eddie-Pipocas: E como te classificas?

Black Genuíno: De momento não gosto de me classificar, pelo menos como comercial ou underground, penso que me identifico com o hip hop.

Eddie-Pipocas: Visto seres um Angolano residente em Portugal, como comparas o rap feito em Angola com o que é feito em Portugal?

Black Genuíno: Bom, eu penso que em Portugal se houve mais o rap considerado “old school”, é aquele rap mais revolucionário underground, porque é difícil encontrar em Portugal rappers comerciais que tenham grande sucesso, também se deve á mentalidade da população, os portugueses não aceitam tão bem o rap comercial como em Angola. E Angola apresenta uma diversidade enorme de rap comercial, isto é, em Angola sentes-te mais livre de fazer o que gostas e o povo te aceitar, do que em Portugal. Em Angola, penso que o rap está mais amplo, mais aberto para se poder criar, do que em Portugal, penso que aqui (Portugal) o rap seguiu uma linha que já dura há muito tempo e não sai daí. Já em Angola podes fazer e escrever o que és e isso para mim é hip hop.

Eddie-Pipocas: Aquilo que toda a gente pensa é verdade: que o genuíno músico/rapper, só vive da música?

Black Genuíno: Não, o genuíno Músico/rapper não vive da música, faz rap por amor, diversão, e tem de ter uma vida paralela ao rap. O genuíno Músico/rapper é estudante e trabalhador, e faz música nos tempos livres.

Eddie-Pipocas: Mesmo que não consigas ter sucesso no mundo da música, ao contrário do que esperas, pretendes continuar a tentar ou desistir, caso este teu álbum não tenha sucesso?

Black Genuíno: Eu já faço música há algum tempo e nunca tive grandes sucessos no mundo da música, como disse, faço música por amor e por gosto. Quando se ama, não se deixa aquilo que se ama. Quer este álbum tenha sucesso ou não eu vou continuar a lutar, a fazer música porque é o que gosto.

Eddie-Pipocas: Qual a mensagem especial que deixas para os leitores do blogue Eddie-pipocas?

Eddie-pipocas: Blogue da inovação, da tecnologia.” Estamos no séc. XXI, século da inovação e se quiseres curtir uma cena ou ver uma cena nova, diferente do que já viste tens de procurar no blogue do Eddie-pipocas porque lá encontras de certeza”.


quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010

Estive na Anjinorecords

influenciado pelos ritmos cubanos dos batuques dos colegas cubanos do pai que tocavam percussão conheceu a musica hoje é o boss deste estúdio"@njinorecords".

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

KRINK

Quem sabe se você pingar tinta em uma parede podera começar a fama mundial! O cérebro por trás de uma marca revolucionária como KRINK pode muito bem estar no seu caminho. Por não estar contente com tinta e spray regular, Craig Costello (aka KR) estabelecidos para inventar uma mistura para explodir mente e encher os bolsos com o loot! Um artista ávido, KR estava sempre à espreita de algo mais - um passo de distância do preenchido fontes e as marcas que foram se tornando a norma na cena dos graffiti. Com um pacote inteligente e de uma solução simples, KRINK pingava o seu caminho ao redor do globo ", permitindo que marca KR da estética para desenvolver nas mãos do artista e vândalos em todo o mundo."

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

SAIBA QUEM É O AUTOR DO BLOG CENASQUECURTO


EDDIE-PIPOCAS: Primeiramente quem és? Quem esta por trás deste Angolano residente na terra do samba? Porquê Cenas?

CENASQUECURTO : Sou o Cenas, Angolano residente no Brasil - Estudante de Informática. Uma pessoal simples e que decidiu compartilhar as cenas que curte com o mundo...
Meu apelido Cenas veio devido ao nome do blog, e muito também devido ao nickname de um bro com quem teclava pelo Mirc[Canal Angola, ex-vício]...

EP: Fala um pouco de porque criaste o blog, e quais blogs te inspiraram?

CQC : Criei o blog com o objectivo principal de compartilhar as cenas que tenho no meu HD com o pessoal que se encontra espalhado pelo mundo...
Eu visito todo o blog que chega até mim. As vezes, fico na internet visitando blogs novos de Hip-Hop Luso [principalmente].
Antes de influência de qualquer blog, vem o site Hipflickz[Que já não se encontra no ar]. Fui um visitante assíduo deste site, que durante um tempo, foi o principal meio de divulgação do Rap Angolano. Desde que conheci este site, sempre quiz criar o meu. Surgiram vários blogs, mas o blog que me fez criar o CQC, foram o UltraCognitivo e o Noticiário Periférico. O primeiro pela forma como ele prepara "escreve" as portagens, e apesar de não falar de Rap, é mais o estilo que gosto... Aquele que procura opinar, fazendo do blog um verdadeiro diário digital. O segundo pelas noticias e a dedicação pelo blog, mantendo ele sempre actualizado. E lógico que acompanho todos os blogs de Hip Hop e não só, principalmente os Angolanos, todos eles de certa forma me inspiraram... Depois de muito acompanhar estes blogs, decidi tirar do papel o projecto de ter o meu próprio site ou blog.


EP: Mano cenas quais são as cenas que curtes?

CQC: Curto de tudo um pouco. Desde computadores, música, filmes, desporto e vai indo...

EP: Porque cenas que curto?

CQC: A princípio, o blog era para eu postar apenas as CenasQueCurto. A certa altura tornou-se impossível postar apenas cenas que eu curto, pois senti um grande feedback do pessoal, e senti que o blog morreria cedo se eu colocasse um limite como esse "Postar apenas as CenasQueCurto". Dai que mudei o título do blog para CenasQueCurtimos [Mantive apenas a URL em minha homenagem, heheeh]...

EP: Tais cenas que curtes qual é o lugar do rap? É porque o rap é o tema principal deste grande blog...

CQC: Sou fanático por Rap, então das cenas que eu curto o Rap está mesmo no top...

EP: Provavelmente sabe que estas entre os sites informativos mais prestigiados do mundo do rap lusófono e não só, como classificais o rap luso?

CQC : No Rap Luso tem para todos os gostos "e desgosto". Então posso concluir que está bom, apesar que vai melhorar muito ainda...

EP: E qual a grande diferença entre eles, ou seja, entre o rap feito ai no Brasil, Angola, Moçambique e aqui em Portugal?

CQC: Nestes países encontramos grandes rappers. Temos recebido muito bom rap a meu ver. O Rap brasileiro é um dos mais difíceis de ser entendido, mas como costumo dizer, "depois de entenderes, não terás dificuldades em encontrar grandes Mc's nesta praça". Eu acho o Rap Brasileiro e o Rap Tuga um pouco mais avançados que o Rap feito em Angola e em Moçambique, que a meu ver têm muita semelhança. Diferenças existem, mas sabemos que quando és bom rompes qualquer barreira, e temos vários bons exemplos disso...

EP: E deste mundo do hip-hop luso quem são os destaque no teu ponto de vista?

CQC : Vou responder essa pergunta me baseando naquilo que tenho analisado pela busca do pessoal no blog, e não pelo que tem passado na TV ou nas rádios, até porque quase não vejo Tv e nunca oiço rádio:
De Angola: CFKappa e Kid Mc, Moçambique: Azagaia, 2 Caras e Hernâni da Silva. Portugal: Valete e NGA. Brasil: Emicida...

EP: Quais os rappers que têm os sons mais baixados no CQC?

CQC: Os rappers que mais baixam os seus sons: Valete, Dji Tafinha, CFKappa e Cage 1...

EP: És rappers?

CQC: Não sou rapper e nem pretendo ser. Não tenho "habilidades" suficientes para acrescentar algo de positivo, então prefiro ficar no meu quadrado e deixar para quem sabe...

EP: Quais são os rappers que mais curtes?

CQC: Complicado... Dos vários que me mato a ouvir, posso destacar o Phay Grand e o Edu ZP

EP: Um som que tens curtido muito esses tempos?

CQC: De certeza "A Luta Continua" De Kool Kleva com a participação de Edu ZP e Mc Kappa. Oiça muito bem essa track, alias, o álbum todo do Kleva...

EP: Beefs, o que achas deles?

CQC: Sou ouvinte de Rap, e sinceramente me cai sempre bem ouvir um bom beef. No Rap sempre existiram as batalhas entre os rappers, mas infelizmente nem sempre acabam bem. Vendo por este lado, vejo os beefs sendo algo negativo...

EP: Perdes muito tempo a postar? Trabalhas sozinho no blog?

CQC: Normalmente nunca estou apenas a postar, então diria que não levo muito tempo postando. Na publicação de conteúdos sim, mas o CQC surgiu com vários amigos e colaboradores, e vem adquirindo mais outros ao longo do tempo...


EP: Underground vs Comercial - Qual preferes?

CQC: Normalmente só oiço Rap Lusófono. E sinceramente, já me limitei muito para ter que criar mais muros como este. Oiço bom rap, não me importando com a vibe do Rapper...

EP: Para quando uma mixtape ou compilação do blog?

CQC: Vários rappers já se disponibilizaram para entrar numa possível cena para o blog, mas sei que na hora da verdade terei que ficar a "bater lata" a procura deles, então vou deixar isso agendado para bem mais a frente. Se calhar sai um ou outro som, mas um trabalho completo está fora de questão por enquanto...

Agradeço ao Eddie pelo convite para a entrevista. Parabéns pelo grande trabalho que tens efectuado no EP...

segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

O KUDURO MORA AQUI

O KUDURO MORA AQUI E BREVEMENTE EU TAMBÉM

sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Maximus BREVEMENTE no blog com mais de 1 milhão de dred´s a galarem

Maximus... Nasci em Luanda/Angola em 89, comecei na onda do R.A.P muito cedo não sei ano nem mes mas a coisa foi acontecendo, posto em Portugal sempre escrevi e consumi tudo o que estivesse ligado ao Hip-Hop. Formei os 3pla aliança com (Nucho e Luso), mas agora estou no barco “sozinho”!... Sem estilo definido, sem rótulos ou etiquetas, faço Musica consoante o meu estado de espírito, não me tentes definir como “underground, revolucionário, ou mainstream"... Ou o quer que seja! Sou um Rapper de varias orientações, tanto podes ver-me em temas como MC de batalha, noutros como MC sentimental, Jornalista urbano, ou mesmo proporcionando-vos temas mais dançantes. Faço música para todos independentemente do tom de pele ou estatuto social. Em cada música há um bocado de mim e talvez de mim e talvez encontres um bocado de ti nelas. .... Ouve e aprecia, se gostas do o toque e passa a palavra!... Se não gostaste do o toque e diz o que posso/devo melhorar talvez a próxima te agrade... Paz amor e respeito. Maximus

domingo, 20 de Dezembro de 2009

Conversa fresca com Tekilla

Já a algum tempo anunciei uma entrevista com Rapper Português Tekilla .No seu escrito em Lisboa tive uma conversa sobre o seu trabalho e sobre o estado do rap em português . Trabalhei muito para transformar esta conversa de audio para escrita mas só agora me dei conta que isto iria ocultar muita informação útil .




Deixo aqui o link para poderem consultar .

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

CQC NO EDDIEPIPOCAS BLOG "Brevemente"

Queremos todos saber de onde ele vem quem ele é e porque o hip-hop e como ele chegou no top dos que conhecem o verdadeiro rap luso.

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

PM- Poderoso Mensageiro vai estar aqui

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

BREVEMENTE TEKILLA NO EPB


RAPPER TEKILLA TEM O ALBUM NO MERCADO DESTE 22 JUNHO
COM O TITULO DE TEKILLA "A PREVIEW"
Participações de Condutor, Agir, Sam The Kid, DJ Kronic, MAF, DJ Link, Matay de Sousa, entre outros



quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

À conversa com… Masta

Masta é um rapper Angolano residente em Portugal, pertencente ao grupo Força Suprema que nos fala um pouco da sua vida e do mundo musical, em particular do Rap.
eddie-pipocas & Masta *
Eddie-Pipocas: Quando procuras um carro o que mais te atrai nele?

Masta: Já há algum tempo que me interesso por jipes porque gosto de carros grandes, eu gosto muito de jantes, nos meus ligeiros eu não conseguia colocar jantes maiores que 19’’, então saltei para os jipes, assim posso por o tamanho que quiser. Em relação aos jipes não me importa muito o ano, até pode ser de 89, o que me importa é aquele em que possa por a jante maior, se der para pôr 30’’ então é esse que compro (sentido figurado, risos).

E-P: No teu perfil quando procuras roupa, o que mais te interessa? Se fica bem, é novo, serve ou a marca?

Masta:
No que toca a roupa, normalmente uso roupas personalizadas, não ligo se é da Gucci ou louis vuitton … A mim não me diz nada, gosto de roupas que me façam sentir bem, confortável, e giro.
O lenço preto representa os força suprema*
E-P: Em termos de tecnologias? Se gostas carros deves ser amigo de tecnologia?
Masta: Nem por isso não estou muito a par, gosto de motores, mas nem estou muito a par disso, sei um pouco de todas as tecnologias, mas não sei tudo…

E-P: Como funciona a internet para ti? Só consultar o correio electrónico ou para mais coisas?
Masta: A internet para mim é um mundo, hoje em dia eu faço tudo na internet, e esta já nos ajudou muito. Eu vendo mais na internet do que nas próprias lojas, daí termos deixado de vender nas lojas. A internet para mim foi uma das maiores invenções de sempre. Penso que não há nada que vá bater a internet, utilizo-a para divulgar a música, o nosso trabalho, ir ao blogue e até vejo sites para comprar carros. (risos).
E-P: Ainda ontem vi o novo clipe do Don G e o Prata, no vosso blogue…

Masta:
Sim, sempre que possível deixamos material disponível no blogue para que as pessoas que nos acarinham possam conhecer o que há de novo, a realidade. Não só um videoclip, ou uma música mas mostrar como o processo funciona, tentamos pôr no blogue o máximo de nós, quem somos, fotos de família, andanças, o divertimento, para dar a conhecer o que somos.

E-P: E em relação aos ForçaSuprema, se não me engano o último trabalho (Álbum) já foi há um tempo…

Masta:
Sim foi em 2007, “De corpo e Alma”.

E-P: Na altura estiveram, na SIC com o Daniel Nascimento, certo?

Masta: Sim, tivemos o prazer de trabalhar com o Daniel Nascimento, o nosso “mano” Helvio… São muitos para dizer agora, mas trabalhamos com grandes músicos.
Jantes de 24 polegadas no jeep do Masta*
E-P: Os trabalhos actuais são mais mixtapes, álbuns, projectos a solo? E como funcionam os vossos projectos a solo?

Masta:
Nós somos uma família e eu posso estar a trabalhar a solo mas vou querer sempre um “dedo” dos meus rapazes, nós decidimos trabalhar agora um pouco a solo, mas a Força Suprema continua (o grupo em si) e saudável. Quando queremos a participação de alguém, chamamos sempre um membro da família. As mixtapes são algo que sempre fizemos, aliás nós começamos numa cassete, em 1997, depois é que vieram os cd’s e etc., mas as mixtapes ajudam a manter sempre o nosso Rap em dia, sem termos de pensar em que editora procurar para distribuir os álbuns por aí, as mixtapes são úteis para mantermos o nosso trabalho nas ruas.

E-P: O que une a Força Suprema?

Masta:
Respeito, humildade, dedicação e amor entre nós é o que nos une.
E-P: Agora um pouco mais sobre ti, idade, nacionalidade…?

Masta:
Nota-se logo pelo sotaque, sou Angolano, puro “Mangolé” (muitos risos), nasci em Luanda em 1982. Saí de Angola com 11, 12 anos, lá vivia em S. Paulo, vim para Portugal para estudar, os meus pais sugeriram que viesse para cá para me proporcionarem uma boa vida, quer dizer, nós lá vivíamos bem mas era para criar novas oportunidades. Comecei por viver com a minha tia mas pouco tempo depois, aos 14anos vim para a linha de Sintra onde estou até hoje. Mas na altura nem tudo correu bem, no inicio os meus pais ainda mandavam dinheiro mas com o passar do tempo tornou-se difícil para eles e vi-me forçado a ir estudar e trabalhar ao mesmo tempo, foi muito duro. Na altura tinha 15 anos e só consegui na Construção Civil, da qual confesso que fugi, não aguentei (risos). Comecei a ter mais despesas com a escola documentos, entre outros e desisti no 10º ano de estudar e comecei a desenrascar-me… até hoje. Daí o nome da minha mixtape, “desenrascar ou morrer”. Hoje tenho a minha casa, os meus 2 filhos a minha “baby mama” (risos), os meus amigos.

E-P: Uma pequena curiosidade, a música chega para viver, ou melhor, dá para se viver da música?

Masta:
Não vou mentir, a música não dá para sustentar o estilo de vida que eu gosto e levo, tenho de me desenrascar por aí, tenho uns trabalhos extra.

E-P: O teu último trabalho assim como o do NGA têm sido bem recebidos, certo?

Masta:
Sim até agora parece que sim, o NGA é um cantor que respeito muito, para mim é um dos melhores Rappers. Nós tentamos sempre fazer boa música, esforçamo-nos muito para fazer o melhor, aliás é como costumo dizer a música tem de ser como a droga, a droga é colocada nas ruas e se a droga é boa fica-se viciado, logo vais querer consumir e consumir… (risos). Embora trabalhemos bastante a nossa música continua a ser Underground e não comercial, como os oiço por aí dizer.

E-P: Em relação há boa música, o que pensas destas novas misturas, como o Rap com Kuduro, tipo o Prata no som do Don G, o NGA…?

Masta:
Eu penso que seja bom desde que não se percam as origens, basta não se estar perdido, qualquer junção pode ser positiva e boa música desde cada parte não perca a sua essência. É um desenvolver da cultura musical.
E-P: Quem te inspira, respeitas e qual o cantor que gostarias alcançar?

Masta:
Neste momento o que me inspira é a minha vida, os meus problemas, o povo que consome a minha música. Gostaria, sem dúvida de alcançar o estatuto do Boss AC, cantor que respeito muito, desde o primeiro disco que gravou continua a gravar sempre no mesmo estilo e aos pouco foi conquistando o respeito de todos, sem perder a sua essência.

E-P: Ao nível do Rap Angolano, quem pensas estar num bom caminho? E comparando com o Rap feito em Portugal?


Masta:
Eu tenho contacto com muitos rappers angolano, não conheço muito os passos de todos, mas por exemplo os kalibrados, ajudam a que o rap angolano e a boa música angolana seja divulgada pelo mundo de forma positiva assim como os Armsquad, Djitafinha entre outros. Em relação ao evoluir do Rap penso que há muita diferença entre o que é feito e em Angola e o que é feito em Portugal. Em Portugal o rap foi-se criando… Nasceu, foi gatinhando, deu os primeiros passos, caiu mas levantou-se lentamente e continuou a crescer. Já o Rap feito em Angola foi de repente, isto é, na altura havia os SSP e poucos mais mas, de repente, surgiram bastantes grupos de Rap, foi moda, e eu não respeito isso, porque o Rap não é moda, é uma cultura, é o que eu sou e não aceito que as pessoas levam aquilo que eu sou e gosto de fazer dessa forma, tem de haver respeito e não há respeito. Não é porque estou de férias da faculdade que vou lançar um álbum e se der sucesso continuo, ou porque tenho um tio general que me financia que vou fazer Rap, estão a brincar com a música, e não respeito isso, esses rapperszinhos, para mim são brincalhões!


E-P: Os Força Suprema como grupo têm problemas ou conflitos ”beefs” com outros grupos?


Masta: Para ser sincero não temos grandes conflitos, mas os poucos que temos não estão relacionados com a música. Não é como muitos que “arranjam” esse tipo de situações para conseguirem vender, combinam, o teu bairro contra o meu e depois no palco estão grandes amigos, como se não fosse nada. Não digo que seja mau porque até acontece na América, por exemplo o Jay-Z e o NAS, mas já agora aproveito, eu penso que muitos rappers em Angola copiam muito do que se faz na América, os rappers Americanos, só falta traduzir as letras, há muitos que já o fazem, mas não vou citar nomes…


E-P: Qual é a mensagem que queres deixar para os leitores do blogue e para o mundo?

Masta: (risos) Para pararem de fabricar armas porque isso só está a destruir o mundo e há muitas crianças inocentes que estão a pagar com as ambições de certos governos. Se pensassem mais no homem e menos no dinheiro se calhar o mundo estava muito melhor, temos de pensar mais no futuro que são as crianças.


Edição e texto de: v.ribeiro
Fotos de : v.ribeiro
Reportagem realizada dia 2 de Setembro de 2009. Toda a informação apresentada conta com a autorização de Masta.*